Desfiles “Realezas do Tempo” reuniram mais de 400 pessoas e espaço somou mais de 50 marcas na programação
O Espaço Tendenza encerrou sua segunda edição na Festa Nacional da Uva como um recorte da moda que a Serra Gaúcha produz, entre indústria, autoralidade e repertório. Assinado pelo Concerto de Moda da Serra Gaúcha (CMSG), o ambiente operou como programação dentro da Festa: passarela, editoriais, vivências e ativações que colocaram o público em contato com bastidores e processos criativos, além da presença de marcas em agenda cultural e de comercialização.
O ponto de virada do Tendenza nesta edição foi escala. Mais de 50 marcas participaram entre programação e comercialização — salto em relação à estreia do espaço. “Na edição anterior tivemos cerca de 15 marcas. Nesta edição foram mais de 50 entre comercialização e programação, o que naturalmente atrai mais o olhar do público”, resume Raul Cardoso, produtor do Tendenza e diretor do CMSG.
No centro desse movimento estiveram os dois desfiles “Realezas do Tempo”, apresentados no Tendenza e vistos por mais de 400 pessoas. A proposta levou à passarela as realezas atuais da Festa da Uva, além de ex-rainhas, princesas e embaixatrizes, criando um encontro entre memória da Festa e linguagem de moda. O tema “Realezas do Tempo” ganhou forma em duas noites de passarela. Em 23 de fevereiro, Camila Paludo, Martina Cambruzzi, Garimpo Gold, Eco Street Brechó, FSG – Curso de Moda e Carolinas – Arte e Vida abriram a sequência com uma proposta ancorada na memória da Festa e na reinterpretação de elementos associados aos vestidos históricos. A segunda apresentação, em 4 de março, reuniu Vivian Boff, Carla Negri, Gida, Carla Carlin, Izabel Pettefi e Malise, levando o mesmo conceito para uma chave mais contemporânea, com criações autorais e novas leituras de silhueta e acabamento.
A rainha da Festa da Uva, Elisa D’Mutti, sintetizou o encontro entre tradição e criação que guiou a passarela: “Foi uma grande oportunidade de desfilar com artistas incríveis como Vivian, Isabel e Martina. O tema ‘Realezas do Tempo’ foi uma linda homenagem às nossas rainhas e princesas de outras edições”.
Para Raul Cardoso, o objetivo do projeto foi traduzir símbolos da Festa para o vocabulário da moda, sem romper com o que eles representam. “Nosso objetivo, que era através da moda, reimaginar a estética de figuras tão importantes como as rainhas e princesas, foi alcançado com sucesso. A reação do público mostra que conseguimos respeitar as tradições, mas também modernizar a estética com inovação. No mais se a moda é um retrato do seu tempo, as passarelas e editoriais produzidos deixaram marcas na história”, afirma.
O Tendenza também ampliou sua presença como espaço de conteúdo. Uma das novidades foram as experiências “Viva la Vita”, com vivências, oficinas e conversas abertas ao público, trazendo as marcas para além do produto. “Nós propusemos que as marcas trouxessem ativações por meio dessas vivências. Isso possibilitou ao público entender o conceito e aquilo que cada marca deixa para além do produto”, explica Raul.
Na leitura do produtor, existe um traço local que aparece quando a Serra coloca a moda em cena: “A moda da Serra tem um caráter experimental, mas também uma consciência comercial. Existe um valor identitário muito forte ligado ao legado da indústria têxtil e das tradições manuais que ajudaram a construir a história da nossa região”, avalia.
O encerramento do espaço veio com a exposição fotográfica “Realezas do Tempo”, com imagens de Silas Abreu, reunindo editoriais e registros construídos ao longo do evento. Os editoriais e desfiles tiveram assinatura criativa de Raul Cardoso, com beleza assinada por Débora Camassola e estilo conduzido por Elisa Kuver, em um conjunto que transformou passarela e bastidores em memória visual do que foi o Tendenza nesta edição.